O Triste Fim do Envolvimento Entre Colegas de Trabalho – Conclusão

2–3 minutos

1. O Fim como Desvelamento

Todo término amoroso carrega algo de revelação: o que antes estava velado pelo brilho da paixão torna-se visível sob a luz fria do distanciamento. No caso de colegas de trabalho, essa revelação é ainda mais incisiva, pois não é possível simplesmente apagar o outro da própria rotina.
A psicanálise nos lembra que não existe “volta ao ponto zero” nas relações humanas. O que se viveu deixa marcas — e essas marcas, no espaço corporativo, continuam circulando nos olhares, nos silêncios e nas ausências.


2. O Impossível da Neutralidade

Empresas gostam de imaginar que podem “neutralizar” os efeitos de um relacionamento que se rompeu, seja através de realocações, reuniões de alinhamento ou políticas internas. Porém, do ponto de vista psicanalítico, o inconsciente não se reorganiza por decreto.
O vínculo — e o rompimento — permanecem ativos como significantes, produzindo efeitos na linguagem, na produtividade e nas alianças informais.


3. O Sintoma que se Instala

Quando não há elaboração, o fim do envolvimento tende a se transformar em sintoma organizacional:

  • Diminuição da comunicação ou hostilidade velada entre os ex-parceiros.
  • Formação de “blocos” de colegas que tomam partido.
  • Distração e queda no desempenho, não por incompetência, mas por excesso de investimento libidinal no conflito.
    O sintoma, nesse caso, não é “pessoal” — ele se infiltra no tecido da empresa, afetando todo o ambiente.

4. A Função do Tempo e da Elaboração

O tempo não cura por si só; ele apenas cria espaço para que algo possa ser simbolizado. Na psicanálise, elaboração (Durcharbeitung) significa dar palavras àquilo que insiste em retornar como imagem ou sensação.
No contexto corporativo, essa elaboração implica reconhecer que o trabalho não é um “mundo à parte”, mas um lugar onde o sujeito também ama, perde, sofre e se reinventa.


5. Entre o Desejo e o Lugar do Outro

O ponto mais delicado, talvez, seja reconfigurar a posição subjetiva diante do outro. Quem antes ocupava o lugar de cúmplice, amante ou confidente, agora precisa ser reposicionado simbolicamente: não como inimigo, não como fantasma, mas como presença possível, inscrita no laço social do trabalho.
Essa operação não apaga a história, mas permite que ela deixe de comandar cada gesto, cada palavra e cada decisão.


6. Fechamento: O Trabalho como Campo de Laços Humanos

O triste fim de um envolvimento entre colegas de trabalho nos lembra de algo que as empresas frequentemente tentam esquecer: o trabalho é feito de laços humanos.
Enquanto houver sujeitos, haverá amor, desejo, perda e luto nos corredores corporativos. O desafio não é eliminá-los, mas criar condições para que possam existir — e, quando necessário, terminar — sem que destruam o próprio campo onde se tecem.
A psicanálise, ao sustentar que o sujeito não se reduz ao seu papel funcional, oferece uma chave para que esses finais, por mais dolorosos que sejam, não se transformem em impasses definitivos.