Lacan afirmava que o sujeito é sempre “descentrado” em relação ao gozo, e que o gozo é do corpo. As redes sociais impõem uma lógica de exposição e validação incessante que transforma o sujeito em mercadoria do olhar do Outro, criando uma dinâmica onde a busca por reconhecimento se torna central na experiência cotidiana. No contexto contemporâneo, o ensaio abordará como o gozo se reconfigura na era digital, onde likes, curtidas e seguidores operam como novos semblantes fálicos, permitindo uma nova forma de avaliação subjetiva que ressignifica as relações interpessoais. Essa nova forma de interação digital não apenas altera a percepção do próprio ser, mas também intensifica a pressão pela performance constante, levando muitos a desenvolverem ansiedades e inseguranças diante da comparação social. A clínica se depara cada vez mais com sintomas derivados desta nova economia do desejo, onde a busca pela validação externa pode afetar a saúde mental e o bem-estar emocional dos indivíduos, exigindo uma reflexão crítica sobre os efeitos da digitalização na psique contemporânea.
